A CASA DO BISPO - RUA MATEUS LEME
Quando Maria Thereza Mader Romanó anunciou aos pais sua decisão de entrar para o convento, seu irmão sugeriu ao pai que seguisse o exemplo de um colega do Colégio Santa Maria: levar a filha em uma grande viagem pela Europa antes da decisão final.
Vô Dante acolheu a sugestão com esperança - talvez, ao percorrer as capitais da Europa, a filha vislumbrasse o universo de possibilidades que estaria renunciando com tal escolha
Thereza, a prima Nilda, o irmão Cid e os pais embarcaram na jornada de três meses a bordo do navio “Andrea C”. A viagem dividiu-se em um mês de travessia, um mês visitando Roma, Madrid, Paris,… e mais um mês para o retorno. Culturalmente enriquecedora, tudo transcorreu sem contratempos.
Vô Dante ficou muito impressionado quando ouviu o Papa Pio XII falar com os fiéis no Vaticano. A inteligência excepcional do pontífice marcou-o profundamente..
Ao cruzarem a Linha do Equador, participaram da tradicional Festa de Netuno, ocasião em que Vô Dante foi homenageado pelo comandante, que destacou seus relevantes serviços médicos à sociedade.
Por fim, ao desembarcarem em Santos, a filha Thereza fez o comunicado que o pai mais temia ouvir: iria se tornar freira.
Não sei se serviu de consolo, mas o pai do colega que igualmente enviara seu filho à Europa,, também fracassara em dissuadi-lo do sacerdócio.
“COSTUME DE IR À RUA E O HÁBITO DE FICAR EM CASA”
Era a frase que as jovens da Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado sempre falavam, em tom de brincadeira.
Não eram obrigadas a usar o “hábito” fora dos conventos. Usavam saia e blusa nas atividades externas. Ou o paletó e saia, chamado “costume”. O hábito só era obrigatório dentro do convento.
Era uma congregação que reunia mulheres dispostas a fazer um trabalho missionário. Teve início em Campinas, por volta de 1930, e foi para lá que Maria Thereza decidiu ir, seguindo sua vocação. Podia ter sido religiosa aqui, no Sion, onde foi convidada por sua grande amiga. Mas queria se dedicar ao trabalho junto aos mais pobres e optou por ir para Campinas.
No início, as responsabilidades das irmãs variavam conforme sua formação.
As coristas - jovens com maior instrução - dedicavam-se ao trabalho missionário, enquanto as oblatas - deformação mais simples - assumiam os trabalhos domésticos como limpeza, cozinha e lavagem.faziam o trabalho de lavar, cozinhar, limpar.
As coristas tinham folga semanal aos domingos, quando podiam ler, assistir a duas missas, ficar mais tempo na capela em oração, visitar os pais quando estes moravam na cidade, fazer trabalhos manuais e ficavam desobrigadas de trabalhos missionários. Nao podiam ir ao cinema, passear fora do convento nem participar de comemorações familiares.
As oblatas também foram adquirindo o direito ao descanso semanal conforme iam evoluindo, adquirindo mais conhecimentos e desenvolvendo suas potencialidades.
Com o tempo, as conquistas foram se solidificando e os direitos e deveres foram se igualando:, uma irmã aprendendo com a outra e já não havendo diferenciações com o passar dos anos.
Isso representou uma grande conquista, ainda que a embora o processo de igualdade deter os mesmos direitos para que as outras irmãs não tenha sido um processo gradualimediato , mas foi contínuo e se consolidou com o tempo.solidificou.
AA Congregação das Missionárias de Jesus Crucificado foi a primeira a abrir a porta de seus conventos a mulheres negras.
E o que as irmãs faziam?
Faziam a abertura para do trabalho missionário. A diocese as enviava para vilas e cidades que estavam nascendo. Iam antes dos padres para estabelecer e organizar uma nova igreja na região. As irmãs ficavam hospedadas em casas de moradores e preparavam as famílias para batizar seus filhos, realizar os casamentos na igreja e fazer a catequese de crianças e jovens.
Dessa forma, quando o padre chegava na igreja, a semente missionária já estava plantada e ele dava continuidade.
Essa A "Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado"congregação Congregação das Missionárias, que se iniciara em Campinas, foi se , se espalhouespalhando -se por outras cidades e , chegou em chegando à Curitiba.
O Bispo de Curitiba na época, Dom Ático Eusébio da Rocha, apoiou o trabalho das irmãs e ofereceu de presente a propriedade de esquina que fica atrás do Shopping Müller, na esquina das ruas Mateus Leme e Barão de Antonina - o, local que era a sede da Cúria Metropolitana e onde ele residia.
O espaço local ficou sendo a sede da Congregação. Para ajudar nos custos, hospedavam as filhas de ricos fazendeiros que vinham estudar em Curitiba e cursar a Universidade.
As irmãs tinham que cuidar das moças como filhas, pois os pais confiavam muito nas freiras. Os horários de chegada eram rigidamente controlados e havia muito zelo com a reputação das moças.