A ELEGÂNCIA NAS RUAS DE CURITIBA


Inspirada por uma foto antiga, refiz o trajeto que minha avó Martha Schöll, minha bisavó Olímpia, minha mãe Magda e minha tia Márcia percorreram quase oito décadas atrás, entre as ruas Monsenhor Celso e Marechal Floriano.

Foram fotografadas em frente à Capital das Modas, conceituada loja de tecidos. Naquele tempo, um fotógrafo mantinha-se ali de plantão, capturando flagrantes dos transeuntes para depois oferecer respeitosamente seu cartão de visitas..

Podemos constatar que as mulheres vestiam-se com esmero para caminhar pela Rua XV. Sapatos, bolsas e luvas sempre combinando.Naquela época, mulheres "de boa família” (como se falava) não circulavam desacompanhadas de pai ou marido podendo ainda passear na companhia de mães, irmãs ou filhas, e exclusivamente durante o dia.

Os homens igualmente primavam pela aparência. Apresentavam-se impecáveis em ternos completos: chapéus, colarinhos engomados, gravatas imaculadas e sapatos brilhantes. Um bom relógio de pulso - usado sem receio de assaltos - era o toque final.

Refazendo o quarteirao que as quatro  percorreram neste mesmo lado da rua, destacava-se na esquina com a Rua Marecha Floriano, o imóvel onde ficava a Casa Ramenzoni e a Papelaria Constantino. No próximo imóvel ficava a loja de tecidos Capital das Modas e a Fábrica Camelo de Calçados.  No pavimento superior do mesmo imóvel funcionavam o Laboratório de Análises Clínicas Paula Soares e o Atelier São Paulo.

Seguindo adiante, chegava-se ao Lá no Louvre, do comerciante turco Miguel Calluf, conhecido como o “Rei das Sedas” e o “Imperador dos Preços”.

No próximo prédio, o Café Belas Artes, reduto de intelectuais e professores universitários, vizinho à Fábrica Paulista de Roupas Brancas, do Sr. Michel Marge, que também vendia os famosos chapéus Cury. Vale notar que, entre as “roupas brancas”, estavam incluídas as cuecas — algo que, na época, não se mencionava abertamente e eram vendidas sob o eufemismo “roupas brancas”. 

Mais adiante, a Gazeta do Povo exibia suas últimas notícias na Pedra da Gazeta, uma placa de mármore onde as manchetes eram afixadas, ponto de aglomeração para os sedentos de informação. 

Já no final da quadra,  a Casa das Meias, cujo telefone — 666 — era fácil de memorizar. E, por fim, a esquina com a Rua Monsenhor Celso.

Assim se apresentava a principal rua do centro de Curitiba em sua era dourada - naquele tempo, um lugar de encanto, onde se podia passear e desfrutar a cidade com elegância e tranquilidade.