CASA ONDE CRESCEU 1 MÉDICA PR - R. SALDANHA MARINHO


Para quem, como eu, se encanta imaginando as vidas que pulsavam dentro desses casarões históricos de Curitiba, hoje revelo a história do imponente prédio da esquina das ruas do Rosário com Saldanha Marinho - outrora lar da família Falce.

Pedro Falce, o patriarca, chegou de Nápoles no final do século XIX trazendo consigo técnicas construtivas revolucionárias para a época. Mestre de obras especializado no método "tijolo e meio", suas construções garantiam não apenas solidez, mas também excelente isolamento térmico e acústico.


O casarão de três andares combinava:

No térreo funcionava a primeira funerária de Curitiba, com sala de atendimento, mostra de caixões e espaço para carruagens fúnebres. A cocheira dos cavalos ficava na Rua Brasilino Moura, onde hoje é o prédio da OAB.

Nos dois andares superiores eram a residência da familia e na cobertura havia um terraço com vista privilegiada para a Serra do Mar. No piso do terraço, o bisavô de Ligia realizou uma verdadeira proeza de engenharia o que requereu 48 horas de mistura manual contínua de cimento.

Os encanamentos de chumbo (comuns antes da popularização do ferro), concentravam-se na ala dos banheiros e cozinha; o quarto das filhas só era acessado passando pelo dos pais.

A vida doméstica revelava os costumes, a educação e o respeito que havia na época:

As seis crianças aprendiam desde cedo a moderar o volume das brincadeiras e a não fazer algazarras quando chegavam pessoas na loja, por respeito aos clientes enlutados.

A educação das crianças era prioridade absoluta: todos os filhos dominavam francês, inglês e alemão; aprendiam piano e tinham aulas particulares com professor em casa.

A mãe, sempre presente durante as aulas, acompanhava as lições enquanto passava roupa, sendo capaz de responder eventuais perguntas que os filhos não sabiam.

O legado da família é impressionante:

Maria Falce de Macedo tornou-se a primeira médica paranaense e segunda do Brasil formada no país

Inocência destacou-se como pintora, formada por Andersen e pela Escola de Belas Artes do RJ

Dos seis filhos, cinco alcançaram o ensino superior - feito raro para a época.

Apesar da disciplina rigorosa e das exigência nos estudos, as crianças Falce tiveram uma infância cheia de alegrias. Os momentos de lazer eram passados na grande chácara que ficava na Estrada Velha do Cassino, onde ficavam os cavalos.

Lá tinha uma casa grande e uma piscina imensa,, ainda de cimento, com um sistema de tratamento de água muito interessante, onde a água era permanentemente reciclada. Foi um local de momentos felizes que o tempo não apaga.


História gentilmente contada por Ligia (bisneta de Pedro e neta da médica Dra. Maria Falce). A chácara é onde está hoje a OAB, na Rua Brasilino Moura. A Chácara se estendia no alto até a praça no bairro Ahú.