CAVALINHO DE PAU - CASA FAMÍLIA GARBERS

CAVALINHO DE PAU - CASTELINHO DOS GARBERS



Um dia, alguém chegou na rua com um carrinho de rolimã — e logo todo mundo quis um também. Teve pai que virou engenheiro de improviso, guri que saiu caçando rolamentos pelo bairro. E eu no meio, é claro!

Nos fundos da Padaria do Grego, na Rua Comendador Macedo - entre as ruas Mariano Torres e Francisco Torres - havia uma oficina com  rolamentos usados. Madeiras? Nem me recordo como conseguiram.

Nossa rua tinha uma posição estratégica. O ponto alto ficava na esquina da Rua  General Carneiro com a Rua Benjamin Constant - o relevo formava ali um morro íngreme. 

Era o Morro dos Garbers, nome que vinha da família que, em 1927, ali construiu sua casa – um castelo que se elevava sobre a  cidade e que até hoje permanece imponente. Tudo quase pronto: madeiras afiadas nas pontas para encaixe certinho dos rolamentos, parafuso central grande e forte para segurar o eixo central com arruela e porca ajustadas.

Nos carrinhos chiques, um pedaço de madeira com borracha na ponta para frear também com a mão. Nos outros, era só a sola do sapato mesmo, E lá íamos nós, Benjamin Constant abaixo. A via era de paralelepípedos, daqueles lisos e escorregadios - pura adrenalina. Eu não tinha carrinho (era brincadeira de guris). mas ia na garupa. E era bom porque com o peso extra, ganhava velocidade. Os piás sempre apostando corridas. 

O vento batia no rosto, a madeira rangia, a gente voava. Para vencer., valia frear no ultimo instante com direito a  cavalinho de pau -  que virava a gente, o carrinho, e fazia o mundo inteiro girar em volta.


O Castelinho dos Garbers é uma joia rara que foi preservada e mantém as características arquitetônicas originais. Naqueles tempos, morar nos "altos" era muito valorizado, além de oferecer uma vista privilegiada da cidade.