CONFEITARIA ROMANÓ — RUA XV DE NOVEMBRO

CONFEITARIA ROMANÓ — RUA XV DE NOVEMBRO



Na década de 1890, meu bisavô — Luigi Romanó — embarcou em um navio em Trieste, na Itália, com destino ao Brasil. Veio trabalhando na cozinha do navio e ali, como auxiliar, aprendeu o ofício de confeiteiro.

Desembarcou no Porto de Santos e tentou abrir uma confeitaria em São Paulo, mas o negócio não prosperou. Decidiu, então, tentar a sorte em Curitiba.

Na capital paranaense, inaugurou a Confeitaria Romanó em um local privilegiado: uma das portas de um movimentado ponto na Rua XV de Novembro. O mesmo prédio abrigaria, mais tarde, em 1918, a Leiteria Schaffer — pioneira na venda de leite de vaca em garrafas de vidro.

Antes mesmo da virada do século, Luigi conheceu Maria Lindemann, uma jovem de família alemã e muito trabalhadora. Juntos tiveram seis filhos: Adolpho, Dante, Lothario, Ausônia, Albano e Plínio. Luigi comandava a confeitaria com a ajuda da esposa. Com o tempo, Maria assumiu totalmente a produção de doces e salgados, tendo o filho Albano como seu  “braço  direito”.Trabalhadora incansável, uma de suas especialidades eram as empadinhas de palmito, o carro-chefe da casa. As cascas de palmito, aliás, tinham um segundo uso: serviam de “corretivo” quando as crianças aprontavam e a atarefada Maria perdia a paciência.

Os doces seguiam receitas tradicionais, à base de açúcar, manteiga, ovos, leite e farinha, enriquecidos com amêndoas, nozes, favas de baunilha e canela. Entre as delícias produzidas estavam mandoulatos (torrones), panetones, pralinés, fondants, marzipãs, doces apreciados pelas famílias de imigrantes, bem como balas macias, embaladas uma a uma.

A Confeitaria Romanó chegou a ter uma filial no térreo do Edifício Braz Hotel, onde mais tarde surgiria a Cinelândia.

Em 1917, Luigi Romanó faleceu, e Maria, junto com os filhos, precisou trabalhar ainda mais, especialmente porque o filho Dante iniciou os estudos de Medicina no Rio de Janeiro, onde o ensino era caro (na época, não havia universidade federal). Após a formatura de Dante e seu retorno a Curitiba, Maria pôde enfim descansar. A confeitaria foi fechada por volta de 1925. No mesmo prédio, em 1944, instalou-se a Confeitaria Schaffer.