DAS KRÄNZCHEN — RUA MARECHAL DEODORO
DAS KRÄNZCHEN — RUA MARECHAL DEODORO
Na casa em frente ao que hoje é o prédio da Receita Federal, tia Ausônia, única irmã do meu avô, casou-se - um dos três casamentos que uniram as famílias Romanó e Nickel.
Na Curitiba de antigamente, era comum que casamentos ocorressem entre famílias conhecidas e até entre primos de primeiro, segundo grau… Essas uniões eram encorajadas e apoiadas. Creio que o motivo residia no fato de o casamento ser indissolúvel: ao unir-se a alguém com a mesma criação, costumes e valores, previa-se uma convivência mais tranquila.
Às segundas-feiras, tia Ausônia e as amigas (Berta Demeterko e a irmã, a Fruet, as Bettini) se reuniam para o Kränzchen. Enquanto faziam seus trabalhos manuais, conversavam e trocavam receitas dos tricôs, crochês, receitas e bordados.
De quebra, confabulavam sobre os melhores pares entre os jovens solteiros e as moças casadoiras das famílias tradicionais.
Não sei quanta sorte tiveram nessas maquinações, mas Thereza Mader Romanó guarda na memória as tentativas do Kranzchen em lhe arranjar um bom marido.
Às 18h em ponto, guardavam tudo e se levantavam, saindo rapidamente de volta para suas casas. Afinal, não ficaria bem jovens senhoras andarem sozinhas, à noite, pela cidade.