ERA AMOR — CLUBE DUQUE DE CAXIAS

Emílio Guetter era o maestro da orquestra que animava os Chás da Engenharia.

Naqueles tempos, os bailes tinham música ao vivo.

Célia veio a conhecer Emílio no aniversário de 15 anos de sua amiga Aglae. Ambas eram colegas da Escola Normal, no Instituto de Educação (Rua Aquidaban). Na ocasião, Emílio a convidou para o Chá da Engenharia, que se realizava aos domingos no Clube Duque de Caxias, na esquina das ruas Dr. Muricy com José Loureiro, bem pertinho da Praça Carlos Gomes. Além de maestro da orquestra, ele era violinista e estudante de Engenharia na Universidade do Paraná.

Célia chegou acompanhada dos pais de Aglae e todos se sentaram na mesa 18, espaço cativo reservado pela família da amiga. O maestro, atento, redobrou os esforços na condução das melodias quando, de repente, um desavisado rapaz se aproximou e convidou Célia para dançar. Ela não podia recusar. Emílio, com o olhar alternando entre os músicos e a jovem enamorada, fez um gesto que de imediato silenciou a orquestra. Desceu rapidamente do palco e foi até Célia. O outro rapaz, percebendo que estava “sobrando”, afastou-se.

Emílio a envolveu e, erguendo o braço, estendeu-o em direção aos músicos. O dedo foi a batuta. Os músicos acataram o comando e recomeçaram a tocar, retornando ao exato ponto em que a melodia havia sido interrompida. E o casal começou a dançar... 

Dançaram tanto que todos em volta perceberam que era amor... e era para sempre!