O TRAMPOLIM E O COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ
Tinha uma vizinha que estudava no C.E.P e eu achava aquilo incrível. Estudar em colégio com uma piscina gigante. Para entrar no colégio, porém, era preciso fazer o "Exame de Admissão”. Quem passasse, pularia o quinto ano e iria direto do primário para o ginásio.
O sistema funcionava assim: as mães inscreviam os filhos no quarto ano, por volta dos 10 anos de idade) para fazer esta prova rigorosa.
O que mais me motivava a entrar era o trampolim. Imaginava que as aulas de Educação Física seriam todas na piscina.
Meu receio era não passar. Temia não corresponder às expectativas que familiares depositavam em mim. Eram altas, talvez maiores do que minhas reais possibilidades. E decepcioná-los.
Mas a vida seguiu outros caminhos. Uma mudança temporária para São Paulo me livrou do “peso” de fazer a prova. E, por coincidência, o exame foi extinto exatamente no meu ano.
Houve uma reforma no ensino, o teste foi abolido e surgiram as séries.
O trampolim ainda está lá, no mesmo lugar. Passo por ele sempre, já que fica na continuação da rua onde moro.
O salto do trampolim ficou só no sonho. Sei que nunca mais vou pular, assim como outros sonhos não realizados: com medo de cair, nem cheguei a tentar.