PINGUINS DO PASSEIO - RUA 13 DE MAIO

Houve um tempo em que o Passeio Público, bem no coração da cidade, abrigou um zoológico com  leões, ursos, jacarés, hipopótamos, pinguins, dromedários, onças e outros animais.

Nas madrugadas, os moradores das redondezas acostumaram-se aos rugidos dos leões que ecoavam pelas ruas silenciosas. Assim era a velha Curitiba: o extraordinário se entranhava no cotidiano.

Certa vez, um macaco matreiro pôs a Rua 13 de Maio em polvorosa. Saltando muros e aproveitando portas dos fundos abertas, invadia as casas: furtava frutas, experimentava chapéus dos chapeleiros e 'emprestava' guarda-chuvas. Os bombeiros, impotentes diante da astúcia do pestinha, mal conseguiam contê-lo. Houve até moradora que, assustada, se mudou temporariamente. O alvoroço perdurou dias, até que o bugio, acuado, mordeu um menino. Logo a seguir o "astuto" foi apanhado.

Eis que os bombeiros, reconhecendo a esperteza ímpar do animal, decidiram promovê-lo a bombeiro auxiliar. Vestido com o uniforme da corporação, o macaco ganhou lugar cativo no caminhão e ia sempre que saíam para atender chamados.

 Em outra ocasião, pinguins decidiram explorar as ruas de Curitiba. Havia um espaço abaixo do serpentário onde habitavam vários pinguins. Muitos blocos de gelo eram colocados diariamente para garantir o conforto das aves. 

Um belo dia, dois deles resolveram fazer um passeio pela cidade. Saíram andando normalmente pelo portão da rua Presidente Faria, subiram pela rua Carlos Cavalcanti e quase chegaram na rua Barão do Serro Azul. 

Muitos viram, mas ninguém fez nada... Como diria o Adoniran Barbosa: “Não quizemo se metê”. 

Só foram capturados quando estavam em frente ao então Hotel Maracanã, na esquina da  Barão do Serro Azul com a Carlos Cavalcanti.

Até aqui, tudo bem: a fuga de um macaco e a excursão de pinguins são eventos perdoáveis. Mas penso que o cuidador dos animais do Passeio público andava um pouco sonolento. Isso porque certo dia, Dona Maria da Conceição estava em casa quando ouviu um alvoroço vindo da rua. Movida pela curiosidade, abriu a porta para descobrir o que estava acontecendo. Para sua surpresa, um hipopótamo passeava tranquilamente em frente à sua casa, localizada na Rua Conselheiro Laurindo, na primeira quadra, entre a Carlos Cavalcanti e o Teatro Guaíra.

O imponente animal, que até então parecia calmo, ficou agitado e assustado com a gritaria da multidão.

Felizmente, não foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros. O grande hipopótamo virou-se e seguiu pesadamente pela Rua Conselheiro Laurindo até entrar pelo portão lateral do Passeio Público.

Entrou e mergulhou no lago. Lar, doce lar.


A Rua 13 de Maio, como parte do centro histórico de Curitiba, é um local com diversas edificações que são protegidas por lei, como unidades de interesse de preservação.