UM BRASILEIRO DE CORAÇÃO — PRAÇA ZACARIAS
Francisco de Paola imigrou da Itália para o Brasil no final do século XIX. Trabalhador incansável, prosperou e acumulou propriedades, incluindo terrenos no Alto da XV (atual localização do Hospital Osvaldo Cruz). Seu armazém de secos e molhados ocupava a esquina da Rua Dr. Muricy com a Praça Zacarias, vendendo desde louças e joias até artigos importados.Tinha um
Pai armazém de secos e molhados que ocupava a esquina da Rua Dr. Muricy com a Praça Zacarias, em frente ao mais antigo chafariz da cidade. Chamava-se Casa Mascote e vendia de tudo — desde louças e joias até artigos importados. Sr de cinco filhas, ansiava por um herdeiro masculino. Pediu então ao irmão na Itália, que tinha oito filhos homens, que lhe enviasse o mais velho. AssimFrancisco, pai de cinco filhas, ansiava por um herdeiro masculino. Pediu então ao irmão, que vivia na Itália e tinha oito filhos homens, que lhe enviasse o primogênito. E assim chegou Francesco de Paolo Sobrinho, o “Chiquinho”, com apenas nove anos.
O jovem demonstrou precoce talento comercial. Frequentava a escola com desinteresse, preferindo passar as horas a observar o guarda-livros (contador) do tio, Sr. Loyola. Acompanhando o tio, percorria os armazéns de Paranaguá selecionando as louças, perfumes, relógios, panelas, e demais mercadorias para vender na loja Mascote.
Tinha um bom faro para adquirir os produtos que agradavam aos clientes.
Como o tio já queria se aposentar do comércio, Chiquinho comprou a loja e posteriormente as lojas vizinhas, as quais alugava para: a Padaria Alemã de D. Joana (esquina Dr. Muricy/Praça Zacarias), especializada em broas, stollen e cucas; Armazém Iskandar (doces importados: figos, tâmaras, temperos); Empresa Japonesa de Pesca, da qual era sócio.
As propriedades vizinhas à Loja Mascote, na praça Zacarias, eram a Loja Maçônica, prédios da família Sanson (incluindo o local do futuro Snooker 21), residência da família Lattes (do cientista César Lattes); o terreno de Álvaro Leal (futuro Cine Luz) do outro lado da praça, e imóveis da família Abagge.
Durante a Segunda Guerra Mundial, estabelecimentos comerciais de imigrantes alemães, italianos e japoneses no Brasil foram saqueados. A padaria alemã foi totalmente destruída, a empresa de pesca foi alvo de vandalismo e a Loja Mascote foi depredada, tendo o cofre arrombado e papéis espalhados pela praça, próximos ao chafariz..
Chiquinho perdeu suas propriedades costeiras em Paranaguá — incluindo a fábrica de gelo e os barcos — que foram confiscados. Houve até restrição para festas familiares, como festejar os 15 anos de sua filha Nilda.
Mas, com apoio de um primo que tinha serraria em Palmeira, recomeçou.
Expandiu seus negócios para o ramo madeireiro (fornecendo para indústrias moveleiras). Entrou no ramo imobiliário construindo casas e prédios; reformulou totalmente o imóvel da Praça Zacarias, construindo um prédio sob medida para as Casas Pernambucanas e adicionou mais um pavimento alugando para o Restaurante Zacarias. Posteriormente instalou a Confeitaria Lancaster.
Chiquinho sempre amou o Brasil, um ”italiano de origem, brasileiro de coração”. Seu legado não está nos prédios que ainda hoje marcam a Praça Zacarias, mas na lição que deixou: mesmo quando tudo foi perdido, restava a capacidade de recomeçar.
(Relato baseado nas memórias de Nilda de Paola Gonçalves, filha de Chiquinho).
O Chafariz da Praça Zacarias é uma unidade de interesse de preservação pelo Patrimônio Histórico Estadual. Remete a uma época em que não havia torneiras nas casas da cidade, sendo ele a fonte de água potável para a população. Foi idealizado pelo engenheiro Antônio Rebouças.